terça-feira, 3 de julho de 2012

Enfermeiros em saldo (qualquer dia temos dois pelo preço de um)

Este post, ao contrário do que o título possa fazer crer, é sério. Muito sério. Embora o assunto que me leve a escrevê-lo seja tão absurdo que parece piada: enfermeiros a serem pagos a 3,96€/hora. Enfermeiros. Pessoas que, numa grande parte dos casos, estudaram bastante para entrar no curso e para sair dele. Pessoas que trabalham de dia e de noite e que perdem momentos insubstituíveis em família. Pessoas que passam Natais, Páscoas e passagens-de-ano a cuidar dos doentes que têm a infelicidade de também passar estas épocas festivas num hospital.
Portugal é um país desenvolvido? Acredito cada vez menos nisso. Porque nenhum país pode ser desenvolvido quando desrespeita assim os seus cidadãos. E quando escolhe os seus profissionais de saúde (repito, de saúde) pelo preço mais baixo e não pela qualidade. Todos nós queremos um enfermeiro suficientemente habilidoso para não ter de nos picar cinco vezes antes de nos conseguir tirar sangue. Todos nós gostamos de saber que, nos nossos hospitais, há enfermeiros competentes a nível humano e científico, capazes de olhar para um doente internado e desconfiar que algo não está bem. Capazes de fazer algo por ele. Todos nós gostamos disto tudo. Mas, a partir de agora, já não podemos assumir que isto acontece. Porque a saúde dos portugueses está em liquidação total. E já nada nos é garantido.

Eu não devo ter cara de pessoa séria

Ia eu hoje no comboio regional, encantada da vida enquanto sublinhava (ou tentava sublinhar, que ninguém me mandou achar que os comboios são bons sítios para sublinhar o que quer que seja) um livro cheio de matéria interessante, quando vejo pelo canto do olho alguém a aproximar-se. Olhei e vi uma rapariga que imediatamente se dirigiu a mim: "Oi, djisscupa si tou txi atrapalhando... Máiz eu quiria sabê o qui tenho dji fazê pra ir pr'o Porto... Tenho dji mudá dji comboio?". Lá lhe expliquei que sim, que chegando a Aveiro tinha de mudar para o comboio urbano que, esse sim, ia para o Porto. Como sou uma moça solícita, ainda acrescentei que convinha ela sair depressa do comboio, porque o urbano não costuma esperar e às vezes os  passageiros têm apenas cerca de três minutos para ir de um comboio para o outro. E também lhe disse que esse comboio costuma estar estacionado à frente daquele em que seguíamos. A cachopa agradeceu, eu sorri e disse "de nada, ora essa" e fiquei intimamente muito contentinha por ter ajudado a reforçar a imagem que os estrangeiros têm de sermos um povo hospitaleiro e simpático.
Quando o comboio estava a chegar a Aveiro e começou a abrandar, todos os passageiros começaram a levantar os rabiosques para se irem embora excepto... As raparigas brasileiras. Ainda olhei para elas, como que a avisar... Nada. "Tudo bem", pensei eu. "Às tantas perguntaram ao revisor e ele disse-lhes que tinham tempo". Saí do comboio e lá estava o urbano para o Porto, prestes a arrancar e estacionado à frente do nosso, tal como lhes tinha dito. Procurei as raparigas com o olhar... Lá estavam elas, ATRÁS do comboio que nos tinha trazido, quando eu lhes tinha dito que ele ia estar À FRENTE. Resumindo e concluindo: devo ter cara de delinquente, mentirosa ou safadinha. Não há outra explicação para elas terem feito tudo exactamente ao contrário do que eu lhes disse. Ou então são só... Pronto, burrinhas, coitadinhas...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

As minhas profissões de sonho #1

Não me interpretem mal, eu amo de paixão o curso que estou a tirar. Mas acho que dentro de todos nós, lá bem no fundinho, existem certas profissões que gostaríamos de ter se o mundo fosse um lugar idílico onde não nos tivéssemos de preocupar com ordenados, saídas profissionais e essas coisas aborrecidas.

Portanto, a minha primeira profissão de sonho ééééé...

1. Autora de quadras de manjericos: Txey, esta ia ser um espectáculo! Para já porque só trabalhava pela altura dos Santos Populares, era um forrobodó. Depois porque ia para o meio das festas vender a minha mercadoria e entre um freguês e outro (isto dito assim soa um bocado mal) de certeza que tinha tempo para ir buscar um finito/comer um febra no pão/dançar o "Aperta aperta com ela" no bailarico. Até já vou começar a treinar:

Hoje é dia de S. João
E a festa começa agora
Já me compravas esta porra
Para eu me poder ir embora

Ou

Este manjerico é especial
Sou eu mesma quem to diz
Tanto murcha se o cheirares com a mão
Como se o fizeres com o nariz

E pronto, era feliz. O negócio era capaz de não sobreviver nem dois dias, mas ia ser bem divertido enquanto durasse! 

O dicionário português necessita urgentemente de um novo vocábulo!

Ora então daqui a nada estamos em Agosto, não é verdade? E o que é que isso significa? "Praia, sol, mergulhos", dirão vocês! E não se estão a esquecer de nada?... Ora pensem lá... Então, Agosto em Portugal é igual a... Emigrantes! Emigrantes everywhere!

Não tarda nada já estão eles a encher o areal, a malta olha para o lado e lá está aquela típica família, o pai barrigudo, com o seu imponente bigode (uma pessoa nunca deve esquecer as origens!) e um cordão de ouro ao peito, o filho com um penteado à CR7 deitado em cima de uma toalha com o desenho de uma gaja nua, a filha com um enorme e colorido piercing no umbigo e a mãe a correr atrás do puto mais novo enquanto grita "Jean Pierre, Jean Pierre, viens ici que te molhas". Os emigrantes são um ícone nacional, um ex libris das nossas praias, um símbolo tuga, qual galo-de-Barcelos. Verão não é Verão sem os nossos emigras e os seus tachos de arroz de frango nos pic-nic's à beira-mar.

Mas acontece que o mundo está em constante mudança e desde que a Troika se instalou e os políticos nos mandaram emigrar, a imagem do emigrante português está também a ficar alterada. Actualmente, o típico emigrante tuga é um jovem recém-licenciado, com uma mão segurando o Curriculum Vitae e a outra a tapar o que é possível, que da maneira que isto anda não há dinheiro nem para as cuecas. E após este momento de crítica social intensa, a questão que quero focar é: como é que uma pessoa agora vai distinguir os dois tipos? É que já não vamos poder olhar para o tal senhor do cordão de ouro e dizer para o nosso amigo "eh pá, este tem mesmo pinta de emigra", porque isso já não corresponde totalmente à realidade e uma pessoa tem de se adaptar aos tempos que correm!

Por isso, sou da opinião de que urge inventar um nome/termo/expressão que permita diferi-los. Até porque esse termo "emigrantes" vai-se tornar completamente generalizado, porque isso qualquer dia somos todos. E Portugal vai deixar de ser um país para se tornar uma estância turística para virmos todos passar as férias. E eu já decidi o nome que vou dar à minha filha quando for emigrante na Suiça: Melódie Andreia. Estou já a avisar para depois não me virem cá roubar a ideia!

Claro que podíamos dizer simplesmente "emigrantes tradicionais" e "emigrantes modernos", mas isso soa-me muito aborrecido! Estão a ouvir-me, senhores da Porto Editora e companhia? Vá, comecem lá a trabalhar nisso e não me façam esperar muito, que isto agora até Agosto é um saltinho. E não venham criticar a minha ideia, que se até já quiseram pôr a palavra (palavra?) "mudasti" no dicionário e até houve petições para isso, não percebo porque é que não hão-de levar a sério o meu pedido, que é muito mais pertinente. Vá, fico à espera!

domingo, 1 de julho de 2012

Agarrados, pá!

Proooonto, Espanha... Já percebemos que vocês são bons nessa coisa de dar chutos na bola (são bons e têm uma estrela num sítio que eu cá sei, porque se o Universo fosse justo tínhamos sido nós a ganhar hoje à Itália, mas isso é outra conversa). Mas da próxima vez passem a outro e não ao mesmo, ok? Caraças, já não vos basta ser a selecção com os jogadores mais calientes, ainda ganham campeonatos três vezes seguidas?

Ide-vos mas é catar, vocês mais o vosso café aguado, o parolão do Enrique Iglésias e os vossos torrões duros como cornos.

... Mas deixem ficar cá a paella. Paella é bom.

(reparo agora que ando a falar demasiadas vezes em comida neste blogue... Quem ler deve pensar que sofro de obesidade mórbida).

Italiani batti le mani!

Ora então, vamos cá ver...

- Acho o Topo Gigio uma gracinha;
- Canelloni está no meu top 5 de comidas favoritas;
- O Roberto Benigni é dos meus actores preferidos
- A língua deles é bem capaz de ser a mais bonita do mundo;
- Adoro aquele tique que eles têm nas mãos a falar;
- Roma está no topo da minha lista de cidades a visitar, quando tiver dinheirinho para isso.

Posto isto, para o jogo de hoje à noite...Forza Italia!!! Claro que isto não tem nada a ver com o facto de o jogo ser contra Espanha, ora essa, como é que alguém pode pensar uma coisa dessas? São nuestros queridos hermanos (hermanos o caraças! Bastardos, isso sim!) e isto não tem absolutamente nada a ver com um eventual sentimento de vingança que se esteja a apoderar de mim.

(E agora a sério, italianos, por favor, dêem-lhes uma coça. Enfiem dois golaços na baliza daquele filho da mãe fantástico guarda-redes que é o Casillas. O vosso país agradece e o meu também. Estamos combinados?)


(Pesquisei no Google "Topo Gigio" e apareceu-me à frente a fronha do Pedro Granger... Está bem visto, sim senhor! Por acaso são parecidos! Um grande bem-haja a quem reparou em tal coisa!)

Não vejo séries, serei normal?

Pois é, eu pecadora me confesso. Não vejo séries, de todo. Friends para mim quer dizer "amigos" em inglês. Californication? Não sei de que se trata, mas pelo nome deve meter alguém a fornicar na Califórnia. E o Dexter, diz que mata pessoas, não é? Até sei que há uma que parece que agora está na moda: Game of Thrones. Parece que mete incestos e essas cenas. C'a nooooiiijo. Pelo nome, conheço-as a todas. Não tenho uma única amiga que não devore episódios atrás de episódios. Um episódio antes de ir dormir, um episódio no intervalo do estudo... Deve ser bom, para tanta gente gostar. Mas não me dá para aí, pronto! É um bocado como o sushi.

A única que cheguei a seguir com mais atenção foi o Dr. House, até chegar àquele ponto em que percebi a dinâmica da coisa: três diagnósticos que tinham tudo para estar certos mas estão sempre errados e um quarto que ele diagnostica com total brilhantismo, porque meteu os seus subordinados a espiar a casa do doente e descobriu que ele tinha comido carne de antílope, antílope esse que vivia em África, numa selva remota onde comeu umas plantas estranhas e raras, que tinham um veneno estranho e raro, que provocava uma doença estranha e rara. Uma situação extremamente provável. Mas claro que o Dr. House sabia disso, ele sabe tudo. Depois as pessoas vão ao hospital aqui em Portugal e dizem que o SNS não funciona bem. Pois sim. Vão-se mas é todos encher de musgo, como diria uma amiga minha.

Ah, minto. Também cheguei a ver Os Simpsons e Family Guy, mas o primeiro dá a horas estúpidas e quanto ao segundo, para além de também dar a horas estúpidas, já apanhei dois episódios em que satirizam este nosso país à beira-mar plantado. E como quem não se sente não é filho de boa gente, amuei e não voltei a ver, pronto! Não, agora a sério, não vejo porque nem sequer me lembro de tal coisa.

Posto isto, vou continuar alegremente a deixar pessoas de boca aberta quando digo que nunca vi um único episódio de How I Met Your Mother e orgulhosamente a ser o único ser do meu círculo de relações para quem Barney não é mais do que um excelente nome para baptizar um cão. E daí, talvez não seja a única. Acho que a minha mãe também não vê. Mas olhem que às tantas...